Estudo mostra que mais de um terço da energia mundial será solar e eólica em 2040.

A energia solar fotovoltaica e eólica deverão ser responsáveis por 34% da eletricidade mundial até 2040, ante aos 5% de hoje. O prognóstico foi revelado pelo mais novo relatório da Bloomberg New Energy Finance (BNEF), intitulado New Energy Outlook 2017 (NEO), divulgado em junho deste ano, no qual analisou durante oito meses as tendências para o setor energético mundial. A maior inserção da energia solar e eólica na matriz energética mundial será consequência, conforme o relatório, da expressiva queda nos custos das tecnologias renováveis, o que deverá acarretará na drástica diminuição do carvão como fonte energética.
O estudo da BNEF aponta que a energia solar fotovoltaica e eólica deverão receber 72% dos US$ 10.2 trilhões estimados em novos investimentos de geração de energia global ao longo dos próximos 23 anos. Somente a energia solar fotovoltaica deverá ter um salto de 14 vezes na capacidade instalada, com investimentos de aproximadamente US$ 2,8 trilhões. Já a energia eólica deverá receber US$ 3.3 trilhões em investimentos, o que possibilitará expansão de quatro vezes na sua capacidade instalada.
Em nota, Seb Henbest, um dos principais autores do NEO 2017, afirmou que o relatório deste ano sugere que a transição para uma economia mais sustentável, de baixo carbono, com um sistema elétrico renovável, não irá parar. Ele destaca a rápida queda nos custos da energia solar fotovoltaica e eólica, além das melhoras tecnológicas de baterias para armazenar a energia gerada e a oferta de veículos elétricos no mercado como fatores decisivos para maior inserção das renováveis na matriz energética mundial.
Hoje, os equipamentos fotovoltaicos já custam quase um quarto do valor registrado em 2009. Para 2040, o custo nivelado dos painéis solares fotovoltaicos deverá cair, em média, 66%, dessa forma, até lá, um dólar poderá comprar de duas a três vezes mais energia solar do que atualmente. A expectativa é que o Japão registre a maior queda nesse período, com 85%; seguido por Coréia do Sul, com 76%; Estados Unidos com 67%; e Chile, com 65%. O Brasil deverá registrar queda de 41% nos custos dos equipamentos fotovoltaicos.
O estudo destaca que a energia solar já é mais barata que o carvão em países como Alemanha, Austrália, Estados Unidos, Espanha e Itália, e prevê que, em 2021, China, Índia, México, Reino Unido e Brasil integrem a lista. Apesar das medidas de estímulo à indústria do carvão, adotadas pelo presidente dos EUA Donald Trump, a produção do combustível fóssil tende a ser diminuída pela metade nos EUA nos próximos 20 anos, enquanto na Europa a queda prevista é de 87%.
Caso as projeções da BNEF se confirmem, as emissões globais de gases poluentes agravantes do efeito estufa poderiam começar a diminuir já a partir de 2026.

Microgeração
Segundo o estudo, a energia solar fotovoltaica estará cada vez mais presente nos telhados de residências ao redor do mundo. Até 2040, sistemas de microgeração solar representarão até 24% da eletricidade produzida na Austrália; 20% no Brasil; 15% na Alemanha; 12% no Japão; e 5% nos EUA. As baterias deverão ser grandes aliadas para o maior alcance das energias renováveis. As pequenas baterias, instaladas em residências, representarão 57% do armazenamento de energia renovável em todo o mundo até 2040. O mercado de baterias deverá ser puxado pelo aumento dos veículos elétricos na Europa e EUA e movimentar US$ 239 bilhões nesse período.